Capítulo vigésimo segundo

Tenho uma relação profunda com as músicas do Elton. Tive uma cachorra chamada Nikita, uma fita cassete com Sacrifice, pintei um quadro com cores do espaço ouvindo Rocket man. Fugi com o namorado depois que ouvi You´ve gotta love someone, anos depois me casei com ele, decorei o quarto do nosso filho com o tema Rei leão, ao som de Can you feel the love tonight.  Amo compositores! Sinto que o Elton John compõe, como se o instrumento nascera de seu peito, as palavras, as notas. Imagino assim. 
Talvez por não ter vivido isso, ter casado e engravidado cedo. Ele era músico. Acho que a música aprimora os sentidos. Um conselho: Não morra sem transar com um músico, eles são ótimos!  
-Você já vai? – Me perguntou ele.  
-Sim. – Respondi. 
-Você não vai voltar mais, né? 
-Não. 
-Eu acho que eu já sabia, disse ele. Espera! Ouve essa música, é pra você!  
Ele tocou Your Song, enquanto as lágrimas prismando-me a visão, misturavam a luz avermelhada com o dorso sem camisa, o violão, seus olhos de mel inesquecíveis, o quarto e aquela canção linda, que falava de tudo o que nunca viveríamos juntos. Meu coração parecia que ia sair pela boca! Ele terminou a música, me abraçou, nos beijamos, transamos. Fizemos tudo em silêncio. Depois da música nada mais deveria ser dito, nada. Tudo seria pequeno demais. Me vesti, beijei sua testa, peguei minha bolsa e nunca mais voltei. 

Leandro Flores 

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