Capítulo vigésimo primeiro

Joker 

Falam de mim. 
Dizem tanta coisa.
Parece que minha imagem se presta a isso. 
Ela está à disposição de todos, de qualquer um.  
Talvez eu tenha uma culpa aí.  
Eu danço, me mostro, me exibo, chamo sua atenção.  
Você olha! 
às vezes sou Joker, às vezes Arthur.  
Uma parte de mim contra outra parte de mim.  

Por diversão te coloco entre escolhas impossíveis!!!  
Você descobre que não estamos em lados tão opostos.  
Te torno mais sábio.  
Meus amigos? Arlequina, Charada, Pinguim, Duas Caras, você! 
Minha morada? Arkham. Mas não tenho tanta certeza.  

Sou vilão, sou tudo ou nada.  
Posso ser alegria e também tristeza.  
Transito entre a ignorância e a sabedoria; depende de quem vê. 

Às vezes sou Fleck; uma partícula, uma mancha. 
Mas ser  Coringa é que me dá um lugar ao mundo.  
Sou o palhaço, o assassino, o jogo, a piada.  
Rio quando vejo o seu medo.  
Faço graça para te confundir. 
Me fortaleço na sua loucura. 

Qual é o meu propósito?  
O que quero de você?  
Nada. 
É você que me contém. 
O engraçado é que você não sabe!!! 
Mas lembre-se: talvez eu não seja um narrador confiável.                                       

Claudia Barroso 

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