Capítulo quinto

– Férias em família é tudo de bom! 

 Ele ouvia e sorria, mas já não sabia exatamente de onde vinha a voz animada e aguda que, talvez, nem estivesse se dirigindo a ele. Tentava concordar, acenando vagamente com a cabeça e olhando para a frente, para o mar.  

 – Quem me acompanha na batidinha? 

 As mulheres se riam. Ele pensava em galáxias. Gostava de “galáxias” desde criança. Não sabia se gostava da palavra porque gostava da ideia que ela representava, ou se gostava da ideia porque apreciava a palavra. Lembrava do nome das mais próximas da Via Láctea, aprendidas em um almanaque, “Curiosidades para Crânios!!!”, que já tinha ido pro lixo há muito tempo. Ou teria molhado em alguma enchente? 

 Galáxia Anã do Cão Maior, Corrente Estelar de Virgo, Galáxia Anã Elíptica de Sagitário, Grande e Pequena Nuvens de Magalhães… 

 Quando era criança achava que seria astronauta. Ou astrônomo. Ou piloto. Mas todo o conhecimento sobre o espaço celeste que havia entrado e ficado em sua cabeça não era muito maior do que isso. Tinha ficado motorista. 

 – Olha, olha a foto. Não vai olhar pro lado errado, hein?! 

 Ele também não sabia se era com ele. A cabeça dava voltas tentando lembrar o nome da estrela, como era mesmo, aquela estrela que brilha mais forte na constelação daquele gigante, como era mesmo, Órion? Um nome difícil, estrangeiro, nem sabia pronunciar direito. 

 – Ai, pisquei! Eu sempre saio com os olhos fechados! Outra, outra!  

 Betelgeuse. 
Sorriu. 
Clique. 

Thompson Loiola  

Capítulo 4 | Capítulo 6