Capítulo décimo terceiro

Algumas das (muitas) coisas que não consigo fazer: fumar, bordar, fingir simpatia, mascarar a saudade, terminar algo que começo, parar de chorar quando me pedem para parar, ser poeticamente correto, ser poeticamente correto, me basear nessa tal de coerência.  

Ter certeza de que quero filhos, lembrar do que me falaram ontem, não ter medo de perder.  

Montar planilhas, alimentar planilhas, analisar planilhas, entender planilhas. Me expressar através delas. Acho que odeio planilhas.  

Dias e noites organizados, raciocínios lógicos, não perder coisas. Não perder pessoas. Nunca aceitar que me digam o que fazer.  

Ter firmeza, ter foco, ser estrategista, não ter medo de parecer menina. Não ter medo de ter medo de parecer menina. E não menos autêntico.  

Falar sem gaguejar diante de um argumento importante, tropeçar em momento em que estou tentando ser sexy. Conseguir ser sexy. O que é ser sexy?  

Comer sem sentir culpa. Não sentir culpa. Gritar, quando for preciso. Sair de cena, quando for preciso. Não ter medo da palavra abandono. Escrever como quem vive. Escrever bem quando me pedem para escrever. Escrever rápido quando me pedem pra escrever. Escrever. 

Saber a hora de partir. Partir-me em pedaços, quando for preciso. 

Valmir Lins 

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