Capítulo oitavo

Cores saturadas. Cenas enigmáticas, ou inexplicáveis. Pelo menos à primeira vista. Planos não convencionais. 
Os filmes e suas possibilidades de infinitos universos me pegaram desde cedo. Me lembro das sessões de Tom & Jerry em algum cinema da Augusta aos sábados ou domingos de manhã. Meu pai levava eu e meus irmãos. A malandragem do rato e a rabugice do gato naquela telona ao lado do meu pai são inesquecíveis. 
Isso me levou a conhecer todos os meus heróis (e anti heróis) pela infância afora. Hanna Barbera e tantos outros estúdios que produziram muitos desenhos animados incríveis. A evolução natural foram as séries fantásticas ou de comédia. Batman e Robin (na versão P&B com os splashes de “sock” e “pow” nas cenas de luta), Viagem ao Fundo do Mar, Jornada nas Estrelas, Terra de Gigantes, o Tunel do Tempo, Agente 86. Passava as manhãs ou tardes viajando nestes mundos todos. 

Então a coisa se modernizou. Acho que um dos primeiros filmes em VHS que assisti foi da locadora 2001. Uma Odisséia no Espaço na casa de um tio que estava sempre à frente do tempo. Enlouqueci com o Kubrick e com a possibilidade de poder escolher o que assistir em casa quando eu quisesse. E foi assim que pedi pro meu pai ficar sócio da Free Time, locadora de filmes perto de casa. Eu devia ter uns 12 anos e me lembro que pra ser sócio precisava pagar uma “jóia”. Eu achei que não ia rolar. Devia ser muito dinheiro pra ele na época. Mas rolou. 

Eram os tempos em que a locadora fazia cópias piratas do que quisesse alugar. Tudo numa boa. Propriedade intelectual só veio bem depois. Foi aí que conheci o primeiro Sexta feira 13. Por alguma razão o filme que mais tenho na lembrança dessa época. Talvez só pelo medo do Jason mesmo. 

O VHS virou DVD, Blue Ray. Algumas casas tiveram o Laser disc, aquela bolachona que tinha capacidade de armazenagem suficiente para shows em alta definição. Eu achava que aquilo era grande demais, caro demais e tinha títulos de menos. 

E o que falar do streaming? Tem gente que gosta. Outros dizem que não é cinema. Eu adoro! Na telona eu vou assistir o que tiver passando na semana. Eventualmente damos aquela esticada pra tomar um gin tônica e falar da vida. No streaming eu tenho acesso a toda a história do cinema! Sou muito fã dos streaming que fazem curadorias com épocas, atores, diretores ou temas específicos. São aulas infinitas do melhor que já se filmou pelo mundo todo. 

Casei com uma fã de cinema. Assim continuei minhas aventuras. Assistir um filme na Augusta (ela aqui outra vez) ou na Paulista é um de nossos programas favoritos. 

Ricardo Eid Philipp 

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