Fernando Lindote

Oh maravilhoso, oh maravilhoso, oh maravilhoso
Eu sou alimento, eu sou alimento, eu sou alimento
Eu sou comedor de alimento, eu sou comedor de alimento, eu sou comedor de alimento
(Upanixades)

Os dispositivos visuais de Yara Dewachter parecem deslocar nosso olhar para uma situação de oscilação entre lugares, no modo imediato da imagem. Isso implica dizer que na intenção de passagem explicitada no trabalho, quando a artista registra aleatoriamente paisagens ,o sentido de passagem desliza para outros níveis da imagem.As pinturas sobrepostas às fotografias circulam em direções desligadas do referencial registrado,estabelecendo relações de ordem conceitual dentro de um recorte histórico:técnicas e formas remetem constantemente a diferentes períodos da história da pintura.

Esses dois discursos se encontram na superfície da imagem, sem necessariamente apresentarem relações recíprocas, ou antes,ao contrário, quase que não apresentam pontos de conexão. O que coloca nosso olhar suspenso entre essas oscilações de discurso. E na medida do nosso deslocamento pela série de imagens apresentadas por Yara no espaço da galeria, outra passagem se justapõe às duas primeiras, potencializando a instabilidade dos discursos, e abrindo uma pergunta, a cada passo mais aguda, sobre as possibilidades da imagem, hoje, aqui, agora mesmo.

Fernando Lindote